Os dias andam difíceis para todo mundo! Quando se fala em dinheiro...ui... qual pai e mãe não tem que rebolar para poder pagar todas as contas e ainda poder fazer aquele agrado para os filhos num brinquedo ou realizar o sonho de uma viagem? Administrar as finanças da família é uma tarefa da maior importância e ouso dizer que 50% dos adultos não sabe poupar e/ou usar bem o dinheiro. Acredito que a causa dessa inabilidade para lidar com as finanças acontece porque aprendemos a lidar com o dinheiro tarde demais. Ensinamos as nossas crianças tantas coisas importantes, porque não ensinar desde pequenos a lidar com o dinheiro?
Eu vinha pensando nisso já havia alguns meses quando percebi que uma situação em particular se repetia com meus filhos. Por mais que eu me esforçasse e utilizasse minha melhor retórica de persuasão eu não conseguia impedir que meus meninos quisessem gastar imediatamente os tickets conquistados nos brinquedos do parquinho eletrônico, mesmo sabendo que a quantidade deles só dava para míseras 3 ou 4 balas. Eu tentava explicar, mostrar que se juntassem por um tempo conseguiriam trocar por aquele super brinquedo que estava em destaque na vitrine. Sem sucesso! Saia de lá sempre com as 4 balas e uma promessa de dentes vulneráveis. Percebi então que eu precisava de outras estratégias. Eis aí a hora de começar a educação financeira! De lá pra cá comecei algumas ações que se mostraram bem eficazes e, para as crianças, divertidas!

A primeira coisa que fiz foi comprar aqueles dinheirinhos de papel para brincar. Custa menos de R$3,00 em lojas de artigos para festas ou em lojas de brinquedos. Cada um ganhou uma carteira e recebeu seu dinheiro de papel. Começamos a brincar de comprar e vender as coisas da nossa casa. Para o menor (3 anos), era uma questão de reconhecer os números e os desenhos de cada nota. Funcionou! Ele consegue saber que nota usar. Para o mais velho, já deu para começar a somar os valores das notas e até aplicar uma subtração simples para dar o troco. Revesamos no papel de cliente e vendedor! Eles amam comprar e recomprar tudo que temos em casa. Em alguns meses, o mais velho foi mostrando interesse em calcular um troco mais alto e foi a oportunidade perfeita para pegarmos um papel e aprendermos a armar a continha de dezenas e unidades. Ele ainda não aprendeu na escola, mas o interesse genuíno surgiu da necessidade dele (na brincadeira!) e esse é o melhor combustível da aprendizagem. Brincando de comprar e vender eles começam a aprender que cada objeto tem seu valor, que quando gastamos o dinheiro ficamos sem ele e que quando guardamos podemos comprar algo de maior valor depois.
Além do dinheiro de papel, começamos a incluir o dinheiro de verdade. Eventualmente dou para eles um troco da feira ou da farmácia. Eles guardam na carteira e de vez em quando querem comprar um doce ou algo do tipo. Minha alegria veio quando consegui convencer o Miguel (6 anos) a guardar o dinheiro até atingir o valor de um brinquedo que ele desejava comprar. Aí veio a outra ação que eu recomendo bastante e funcionou super bem aqui: a pesquisa de preços. Fomos para o shopping com o objetivo de comprar o brinquedo desejado. Os meninos levaram um caderninho e Miguel ia anotando o nome da loja e o valor. Fizemos isso nas três lojas de brinquedo daquele shopping. Retornamos então na mais barata (R$10,00 de diferença) e compramos o brinquedo. Mostrei para eles que com o dinheiro que economizamos pesquisando, pudemos comprar as baterias para o brinquedo. Eles ficaram super felizes! É uma ótima ideia compartilhar com seus filhos a sua pesquisa de preços, levá-los às compras com você e deixar que ouçam você comentar "a carne está mais cara" ou "vi mais barato na outra loja".
Pra não ficar falando muito aqui, vou pra última e mais valiosa dica de todas. Tive acesso a essa Cartilha de Educação Financeira para Pais (só clicar aqui no link para baixar o arquivo PDF). Não deixe de dar uma olhada! A cartilha tem uma abordagem fantástica e super didática que pode nos ajudar muito a começar a educação financeira dos nossos filhos desde cedo. A cartilha mostra que a educação financeira não diz respeito apenas a números, mas passa pelo consumo consciente, reutilização de bens e muitas outras pequenas ações do dia a dia que ajudam os nossos filhos a internalizar valores precisos para a vida!
Você pode pensar que com isso vamos transformar nossas crianças em pequenos adultos. Não é verdade! Tudo isso eles podem aprender brincando! Não vamos sentá-los num banco de escola com uma calculadora financeira! Vamos apensas brincar de aprender o valor que cada coisa tem, aprender a poupar, aprender a gastar! É nessa brincadeira de hoje que teremos filhos financeiramente equilibrados amanhã! Boa sorte por aí!














